1. Expectativas realistas
É fundamental que os cuidadores compreendam que:
- O desfralde não é uma competição nem uma corrida contra o tempo.
- Existe uma grande variabilidade entre crianças, devendo ser olhadas de forma individual.
- Forçar o processo antes da maturidade pode ser contraproducente.
- O sucesso depende mais da prontidão da criança do que da insistência do adulto.
Em termos práticos, isto significa que não adianta insistir quando a criança ainda não está pronta, porque o processo tenderá a ser mais difícil, mais prolongado e potencialmente mais frustrante para todos.
2. Quando começar?
Não existe uma idade “certa”, mas a evidência aponta que a maioria das crianças está pronta entre os 18 meses e os 3 anos. O mais importante não é a idade, mas sim os sinais de prontidão.
3. Quais são os sinais de prontidão?
A criança pode estar pronta quando:
- Mantém a fralda seca por períodos mais longos (+/- 2 horas).
- Demonstra desconforto com a fralda suja.
- Consegue comunicar necessidades (verbal ou não verbalmente).
- Mostra interesse pela casa de banho ou pelo comportamento dos adultos.
- Consegue sentar-se e levantar-se de forma autónoma.
- Tem alguma previsibilidade nos padrões de evacuação.
A presença de vários destes sinais é mais importante do que apenas um.
4. Quais são os erros mais comuns?
- Iniciar o desfralde sem sinais de prontidão.
- Forçar ou pressionar a criança.
- Punir física ou verbalmente os acidentes.
- Criar expectativas irreais.
- Comparar com outras crianças (Não existem duas crianças iguais).
Estes fatores aumentam o risco de resistência e dificuldades.
5. Qual o impacto do desfralde precoce?
Um desfralde iniciado antes da maturidade adequada pode estar associado a maior número de acidentes,a retenção urinária ou fecal; obstipação, stress e resistência ao processo. A literatura fundamenta que não acelera o controlo, muito pelo contrário, pode até atrasá-lo.
6. E o desfralde noturno? É ao mesmo tempo?
O controlo noturno é fisiológico e involuntário, depende da maturação neurológica e ocorre geralmente até aos 5 anos ou mais. Geralmente ocorre depois do controlo diurno e não deve ser forçado.
7. O que fazer perante um retrocesso?
Os retrocessos são comuns e podem estar associados a desfralde precoce, mudanças (creche, irmão, rotina); fatores emocionais ou mesmo por doença. Devemos nestas situações manter a calma, a consistência, dar tempo e reforçar positivamente as conquistas e evitar castigos para que o ambiente se mantenha seguro física e emocionalmente.
8. Passo a passo: Como fazer o desfralde
Se a criança demonstrar sinais de prontidão começamos pela:
1.º Preparação do ambiente:
- Explicar o processo de forma simples.
- Escolher penico ou redutor para a sanita.
- Incentivar a sentar-se sem pressão.
- Demonstrar a título de exemplo como se faz.
- Integrar na rotina.
2.º Início do processo
- Retirar a fralda durante o dia sem pressão.
- Levar à casa de banho regularmente.
- Ter sempre uma muda de roupa para trocar.
- Agir com naturalidade e interação positiva.
- Valorizar conquistas e normalizar os acidentes.
- Utilizar livros como apoio. A minha sugestão: "Posso espreitar a tua fralda?", de Guido Van Genechten.
3.º Manter Consistência
- Manter a rotina com flexibilidade.
- Evitar interrupções frequentes.
- Ter consciência que o xixi é mais fácil do que o cocó.
- E dar tempo ao tempo.