Texto Margarida Marinho.

Fotografia Catarina Macedo Ferreira

Tudo começou numa bela noite. Uma amiga, em comum, imaginou que o Daniel e a Cláudia que ainda não se conheciam, ficariam juntos. O sonho não foi daqueles dos quais nos lembramos vagamente na manhã seguinte, não. Meteu mãos à obra e, uns tempos depois, a utopia colidiu com a realidade.

Cruzaram-se há 12 anos e, desde então, passaram de 2 a 3 e, mais recentemente, de 3 para uma família de 4. À semelhança das imagens que vemos, a história desta família é tão bonita, que não queremos saltar nenhum detalhe. Propomos uma breve analepse.

Algum tempo despois de se conhecerem, Cláudia, decidiu fazer voluntariado durante 9 meses em Freiburg, Alemanha. Uma coisa leva a outra e, depois do voluntariado, Cláudia acabou por ficar a trabalhar em Berlim. Foi aí que Daniel tomou a decisão de se juntar. Ficaram durante 5 anos e aí tiveram o pequeno Benjamim.

Essas influências sentem-se e estão presentes em cada detalhe da casa. Abrimos a porta e sentimos calor e ternura, uma descontração e calma, que contagiam.

“A nossa casa é um reflexo d nossa vivência. É o nosso porto seguro e foi, por isso mesmo, pensada no sentido de nos fazer sentir o mais confortável possível.

Mesmo depois de um dia longo de trabalho, uma discussão mais acesa, assim que entramos pela porta tudo fica bem.!

Perfeito! O Benny está na escola, mas a Alice ainda não.

“A nossa vontade era que ficasse em casa connosco até nos ser possível e prático. A Alice começa a escola em Setembro, à semelhança do que aconteceu com o Benny que ficou em casa com um de nós até ter 1 ano e meio. Tendo essa possibilidade, acredito que faz todo o sentido ficarmos com eles o máximo de tempo possível. É um trabalho a tempo inteiro, sim, mas os meus filhos têm um Pai espetacular que tenta trabalhar a partir de casa e ser o mais presente possível.”

A primeira experiência foi… a primeira e com tudo o que isso envolve.

“Com o Benjamim custou um pouco – acho que mais a mim do que a ele. Tínhamos acabado de regressar de Berlim, onde tínhamos estado juntos e inseparáveis durante 1 ano e meio. Estávamos a adaptar-nos ao regresso a Portugal, a remodelar a casa onde hoje vivemos, e por isso, ainda não tínhamos um lugar a que chamar “casa”. Foi uma adaptação lenta, porque tentámos seguir o esquema que adotámos em Berlim: lento, 2h na escola e o resto do dia em casa, durante alguns dias. Ao final de 2 semanas o Benny já estava adaptado e feliz na escola.”

Já com a Alice, “manocas pipocas” como é tratada pelo irmão mais velho, é destemida, curiosa, aventureira, o que leva a crer que será mais fácil, quer pelo momento de equilíbrio em que se encontram, quer pela personalidade forte da mais pequena. De notar que não pensou duas vezes antes de se colocar em cima de um carrinho ou meter o pincel cheio de tinta na boca, talvez pela cor apelativa e aparentemente deliciosa.

“Para nós, o mais importante é que sejam felizes e que sintam em nós um porto seguro, que vamos estar cá sempre para o que precisarem e para ouvir e partilhar dos seus problemas, frustrações e felicidade.

Os princípios que tentamos incutir são a solidariedade e a partilha, a igualdade de género e o sentido de entreajuda.”

Um pilar que vão manter para a vida, não apenas numa perspetiva de ensino, mas de convivência e de diversão.

“Um dos meus maiores desejos é que eles cresçam e queiram continuar a viajar, conversar e divertir connosco. Tentamos sempre fazer tudo em família, e o que mais nos dá prazer é viajar para sítios family-friendly.”

Obrigada Cláudia e Daniel. Até à próxima!